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25 de Junho de 2021

Demita seus clientes

Sua Primeira Ação
Publicado por Sua Primeira Ação
há 25 dias

Na semana passada aconteceu algo que hoje em minha carreira é extremamente normal, mas já foi algo impensável no começo da minha carreira, por isso vou compartilhar com vocês.

Eu tinha uma cliente da área de família que já estava comigo desde o início da minha carreira, acredito que ela era umas das primeiras clientes que eu tive após me formar.

Na época cobrei bem abaixo do recomendado para a ação pois estava bem inseguro e era totalmente inexperiente.

Mas na semana passada, anos depois, eu ainda estava com aquele processo, foi o processo mais longo que tive e o mais complicado, não em relação ao processo em si, mas na relação com a cliente, que queria controlar todo o trabalho e não aceitava nenhuma recomendação, querendo que eu tomasse medidas que atrapalhariam totalmente o resultado do processo.

Dessa forma, visando preservar a minha autonomia profissional eu fiz uma conta básica e notei que todo aquele trabalho já havia me custado muito mais do que eu havia cobrado na época, ou seja, eu estava pagando para trabalhar, além de não conseguir fazer meu trabalho corretamente diante das constantes interferências da cliente.

Então tomei uma decisão que era totalmente impensável em meu início de carreira, ou seja, demitir um cliente.

Chamei a cliente em meu escritório e informei que deixaria o processo a partir daquela reunião, permanecendo ainda na ação pelo prazo de dez dias, conforme previsto em lei. Optei por devolver metade do valor que foi pago, o que no final das contas me saiu mais vantajoso do que continuar patrocinando o processo, uma vez que eu gastava o dobro daquele valor por cada ano que o processo se estendia e que diante de todas as interferências, não havia prazo para encerramento.

Então qual a lição de hoje? Demita clientes, sem medo, mas primeiro você precisa fazer uma análise do seu caso em específico, vou deixar um checklist que eu utilizo nessas situações:

  • O cliente ou o trabalho toma mais tempo do que vale;
  • Você está pagando para trabalhar;
  • O cliente controla o seu trabalho e não aceita recomendações;
  • Falta comunicação entre você e o cliente;
  • Você não aguenta mais trabalhar com esse cliente;
  • O cliente não trouxe e não tem perspectiva de trazer nenhum benefício para o escritório (novas ações ou indicação de clientes).

Se você verificar essas situações em seu caso, você pode começar a pensar em “demitir” esse cliente, pois pode ter certeza, você terá melhor qualidade em seu trabalho e em seu dia a dia se eliminar aqueles trabalhos que somente te atrasam a alcançar novos patamares.

Obs.: lembrando que aqui eu compartilho com vocês experiências que eu tenho na minha advocacia, mas cada um tem um jeito de lidar com esses problemas, então isso não é uma regra.

..

Então essas foram as dicas de hoje, espero ter ajudado vocês e até a próxima.

8 Comentários

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E quando o trabalho é pra parente e conhecido e fica de graça? Rsrs... fiz um artigo sobre isso fa um tempo. Acho que merece a visita:
https://eduardopedro.jusbrasil.com.br/artigos/600700136/nao-trabalhe-de-graca

Excelente artigo! Parabéns! Grande abraço e sucesso sempre! continuar lendo

Acredito, que embora esse trabalho tenha lhe acarretado prejuízo com o passar do tempo, o acordo deve ser honrado, já tive processos assim também, mas por ter dado o preço por mais que tenha me acarretado prejuízo, não posso transferir para o cliente a minha falha nos cálculos do serviço. Mas levando em consideração, esta situação de encontrar um cliente "mala", interferindo no modo de trabalhar, eu logo aviso que se a pessoa está insatisfeita com o meu serviço pode procurar outro patrono. Mas se o problema for apenas o prejuízo por falha do advogado em calcular corretamente o valor do trabalho, creio ser antiético dispensar o cliente. continuar lendo

Concordo com o seu posicionamento, Dr. Davi. Contudo, no caso do artigo, acredito que os fatores determinantes para o advogado demitir a cliente foram a falta de comunicação e a desconfiança em seu trabalho. A cliente não aceitava as recomendações e queria ditar o que o advogado deveria fazer. Nessas circunstâncias, em razão da autonomia profissional, é totalmente ético rescindir o contrato.

Todavia, é de fato importante observar que se a questão fosse somente o erro na precificação do serviço, o advogado deveria assumir a responsabilidade e cumprir o contrato. Não só pela experiência profissional, mas principalmente porque seria antiético deixar o cliente desassistido por ato falho do próprio causídico. Boa ressalva. continuar lendo

Palmas pela coragem!
Eu nem vou ler os demais comentários, porque assino embaixo. Somente quando nos tornamos conscientes do nosso tempo, do valor agregado ao serviço prestado e não do preço, começamos a mudar nossa postura enquanto profissional. E faz parte do nosso processo de construção esses erros de iniciantes. São preciosos. Muito sucesso na sua carreira! continuar lendo

Muito bom o artigo! continuar lendo